Quando a Decisão é… Decidir.

Quando fechamos os olhos e decidimos escolher o caminho que realmente queremos seguir, tudo muda. Ou, tudo muda, mesmo não sabendo exatamente que caminho vamos seguir, desde que decidamos, numa primeira análise…mudar.

Quando percebemos, finalmente, que permanecer na mesma etapa… naquela onde já não é possível retirar mais nenhuma lição nem nada de bom…é o sinal que é tempo de mudar.

Tudo fica claro. Já não faz mais sentido permanecer ali.

Encerrar ciclos ou o que lhe quisermos chamar é imperativo e urgente. Precisamos de nos permitir viver outras etapas, de nos permitir viver novas experiências.

Já perdemos energia suficiente, alegria e se calhar até nos questionamos continuamente qual o sentido da vida.

Agora tudo fica claro: é fundamental sair do impasse. Saltar o muro…
“Saltar o muro”… diz-me muito esta expressão. Mal eu sabia que tinha outro muro, enorme pela frente. De facto, a vida também é isto. Perceber que existem muito muros para serem saltados. Perceber que vão existir sempre muros para serem saltados.

“Permanecer em cima do muro pode até ser bom…” dizia-me um bom amigo há uns meses atrás, enquanto eu não me decidia saltar um “muro gigante” (que depois consegui realmente saltar). E ele, em sinal de alerta, acrescentava: “não devemos é deixar-nos permanecer lá durante muito tempo… pode ficar demasiado desconfortável e deixar-nos dormentes…”

Ficar dormente é o sinal limite, sim. Mas é o sinal de que é chegada a hora de saltar. É a hora onde não há mais indecisão. Mesmo dormente arranjamos as forças suficientes para saltar o muro sem olhar para trás.

Saltar o muro é, assim, o mesmo que soltar-se. Desprender-se. Encerrar ciclos. Não pelo ego ou por orgulho. Não por incapacidade ou fraqueza.

Fechar a porta. Abrir outra. Limpar a casa, sacudir a poeira.

Simplesmente decidir mudar e “levar apenas o que couber no bolso e no coração”.

Deixar de ser quem era. Transformar para quem quero ser.

Paula Marques Jorge

Sente que está na hora de fazer uma escolha?

Sente que está na hora de se ver?

Que bom. É dos desafios mais gratificantes que nos podemos oferecer. Permitir-nos crescer. Não nos deixarmos influenciar pelo ruído que nos rodeia. Dar prioridade a olharmos para dentro de nós.

Precisamente a propósito disto, tenho observado, muito frequentemente, em dinâmicas de formação que desenvolvo para promoção de trabalho em equipa (o chamado Team Building) que são raras as pessoas que se sabem posicionar saudavelmente, diria assertivamente, no seu grupo de trabalho. A maioria tende para um dos extremos, ou adota uma postura demasiado passiva, assumindo que ”não vale a pena dar a minha opinião, porque ninguém me vê”… ou escolhe o outro extremo: impondo-se, não deixando os outros existirem, tornando-os nulos, portanto invisíveis. O que, para mim, significa que até os “visíveis” também não se permitem ver.

Perante tal realidade, comum realidade, opto por lançar o convite, a que chamo dignamente de desafio, porque é o que é, de antes de se ambicionar promover o afamado espírito de equipa, antes de se estimular a colaboração e a cooperação para a co-criação de um beneficio comum… devemos também saber abrandar para conseguir melhor observar. Oficialmente desacelerar. Oficialmente convidar a diminuir-se o ritmo da respiração. Aprender a fazer chiuuuu, levemente, para nós próprios. Permitir-nos respirar profundamente. E depois sossegar. Serenar. Apaziguar. Ah! Harmonizar e criar empatia. Confiar.

Deixar para trás o remoinho que teima em liderar: olhar para dentro. Inspirar, portanto. Simplificar o modo de pensar: iluminar o pensamento. Inovar, portanto.

E depois… depois vem o que me dizem ser muito difícil fazer. “Impossível”, chegam-me mesmo a dizer… Porque o que vem depois é o Acreditar. Mas insistem em dizer-me que não, que não acreditam que é possível mudar.

Eu tento disfarçar o que sinto, para não influenciar o florescer da partilha. Mas o que sinto, deixem-me partilhar. É que não há nada mais a fazer, senão continuar. Sinto que é este o caminho: acreditar e, livremente, fazer os outros acreditar. É o meu próprio desafio. Exigente, eu sei. Inglório, talvez. Mas é nisto que acredito.

“Não sou da altura que os outros me vêem, sou da altura que deixo os meus olhos me verem” (Fernando Pessoa).

Acredito que se cada um de nós despertar este Sentir, cuidando de nós próprios e sabendo valorizar-se, perceberemos melhor os outros e com a empatia fortalecida a criação do possível em conjunto será uma realidade assumida.

Permitamo-nos, portanto, olhar para dentro de nós. Olhar e depois inovar. Porque quando nos permitimos abrir para o novo, o nosso olhar também muda e simplifica, tornando a respiração e as nossas escolhas mais fluidas, leves e livres.

Paula Marques Jorge

Resgatar a Força Interior para dominar a Dor

Se existe um reforço na aprendizagem que atualmente estou a fazer, com a minha própria vida e com as vidas dos outros que me são confiadas, é que saímos ganhadores quando olhamos para as “dores” não como “dores de sofrimento” e sim como “dores de crescimento”. Olhá-las e senti-las como verdadeiras dores de crescimento e de evolução é a melhor solução possível para conseguir seguir e avançar.

São momentos valiosos de transição, onde observar, sentir as dores, emocionais e físicas, é o mesmo que simplesmente dizer: sentir as nossas dores por inteiro porque inteiro é o nosso Ser.

Resgatar a força interior para dominar a dor é, portanto, um enorme desafio. Sentimos e pensamos mesmo como se fosse um impossível desafio a abraçar porque a maioria das nossas dores deriva de ferimentos profundos originados por grandes desilusões, frustrações e desencantos.
Para mim, estas serão das piores dores. As dores sentidas quando nos confrontamos com realidades que nunca imaginamos viver ou que, infantilmente (?), adiamos ou recusamos ver.

Perante a realidade, perante os factos sabemos que não existe nada a fazer. No entanto, podemos olhar para o alto, respirar fundo e acreditar que há sempre muito por fazer. Aliás, está tudo por fazer porque um início de ciclo está a acenar prontinho para se aceitar.

Há que retirarmo-nos do turbilhão, nem que seja por uns breves instantes e, como seres inteiros que somos, aceitar a realidade como mais um trilho percorrido pertencente ao grande caminho da vida.

Conseguir integrar em nós não uma aprendizagem vaga lida em livros mas sim toda a experiência de acontecimentos vividos na primeira pessoa, tornar-nos-á, garantidamente, pessoas mais fortes.

Depois da fragilidade vivenciada e sofrida; da coragem de “dar o murro na mesa” ou de “bater com a porta”; do turbilhão de emoções que nos domina; dos avanços e recuos que nos manipulam, há que aprender a integrar, com suavidade, todos estes opostos e polaridades, todos estes momentos de sombra e luz que insistem em nos preencher e completar.

Integrar com suavidade e seguir em frente. Será isto alguma vez possível?!

As dúvidas são muitas. As forças são poucas. Só apetece deixar-nos ir, como aquele barquinho que lançamos ao rio, confiantes que nalgum lado há-de chegar.

Sabemos que só saberemos o resto da história se nos metermos a caminho.

Mas por qual deles seguir? A dor é forte e a dúvida persistente.

Quando me decidir, vou concerteza experimentar e, depois de confiante me “deixar levar”, com o coração limpo mais histórias terei para contar e mais forte e rica vou ficar.

Paula Marques Jorge