Cor da Esperança

Greenery é a cor eleita para o ano de 2017 pelo Pantone, Instituto especialista em cores aplicadas em tudo o que se relaciona com moda e design.

E eu gostei. Muito. Não tanto pelo tom, mas pelo significado que lhe foi atribuído.

Greenery é um tom verde próximo do que chamamos “verde alface”. Pouco discreto, portanto. Mas isso não interessa nada. Foi escolhido para representar 2017, dizem, por ser a cor da Esperança.

E disso eu também gostei. Muito. A Esperança, segundo Aristóteles, será sempre o Sonho do Homem acordado. E saber disto não é reconfortante? E, acima de tudo, estimulante?

Os especialistas da Pantone acrescentam que escolheram esta cor porque nos faz estabelecer uma ligação direta com a Natureza, ajudando-nos a diluir o stress e, simpaticamente, a transmitir mais tranquilidade.

Tranquilidade é o que também eles consideram ser, nos dias de hoje, o que mais nos faz falta vivenciar… E eu concordei. Muito.

Dizem ainda que a cor Greenery leva-nos a acrescentar o “re” a muitos verbos de ação positiva como regenerar, refrescar, revitalizar…

E eu gostei. Então não é o que eu ando também praí a dizer e, espero, a inspirar? Principalmente a mim própria…

Pois é. Precisamos re-desenhar a vida, fazer re-começos, re-novar-nos, re-criar-nos… Entrar num novo ciclo, aceitar a cor verde abrindo o tom da Esperança e olhar em frente. Olhar e seguir. Com vida. Sem medos. Com esperança.

Viva o Greenery!

Observar os sinais e escolher entre direções

Já vivemos os primeiros dias do ano, do novo ano. E este é o tempo de libertar e de inovar. É o tempo de imaginar e sonhar. É o tempo de seguir sinais e direções. É um novo ciclo que já não se avizinha, mas que mora cá.

E 2017 já mora cá e nós já lhe pertencemos. Quem ainda não sentiu esta pertença e a pressão de inovar ou de mudar alguma coisa, de fazer diferente?

A mudança faz parte da vida, faz parte da Natureza, faz parte da nossa natureza humana. E a necessidade de mudança dá-nos sinais, tal como as nuvens o fazem e os restantes elementos da Natureza.

Reconhecer os sinais e adivinhar as direções a seguir é um desafio e tanto. Sem caminho ou estrada definida é quase missão impossível. Sentimos medo e insegurança. Sentimos um peso e uma pressão porque se não queremos mais do mesmo, temos que fazer diferente.

Sem caminho ou estrada definida resta-nos imaginar e sonhar. E as dúvidas são muitas. As hesitações outras tantas. Resta-nos acreditar, observar os sinais e escolher entre direções.

Um novo ano acena-nos com novos começos, novos compromissos, por vezes repetidos e não cumpridos sem conta. Um novo ano pode representar o despertar para novas experiências e aventuras, o despertar de novos impulsos e daquela sensação que nos estamos a atirar para o incógnito e desconhecido.

Mas a beleza de um novo ano também pode ser precisamente essa: permitirmo-nos avançar pelo incógnito adentro. Incógnito e imprevisível. Sem caminhos nem estradas. Com medo e coração acelerado, mas vivos.

2017 já mora cá. E nós já lhe pertencemos, independentemente daquilo que, na nossa imaginação e sonhos, já o fomos preenchendo.

Então… que em 2017 saibamos observar os sinais: se estamos bem, desfrutemos, porque a vida é uma roda viva. Se não estamos bem, mudemos, porque a vida oferece-nos escolhas como presentes.

Desfrutemos o Presente e, mesmo que ele nos apresente cores pesadas e tumultuosas e não nos mostre um caminho definido, aceitemos imaginar e criar, aceitemos entrar na aventura de irmos descobrindo cada direção a tomar. Porque a vida, a nossa vida, está sempre pronta para se redesenhar e colorir de novo.

A retrospetiva necessária para seguir em frente

Fazer retrospectivas e balanços nesta época do ano é natural. Natural e desejável para assim podermos fazer a análise necessária para seguirmos em frente, mesmo que empurrados, sem alternativa.

Podemos sempre escolher. Podemos olhar para trás e perceber que mais um ano passou e pouco ou nada melhorou, podemos olhar para trás e perceber que foi um ano como outro qualquer ou perceber que foi deveras diferente, rico, chegando mesmo a roçar o Excepcional, com E maiúsculo.

Reparo agora que esta é uma boa resposta, dita assim, desta forma, a quem me voltar a perguntar “então, como foi o teu 2016?”… Imagino-me a arregalar o olhar e a responder num tom seguro e confiante: “2016? Ah! Para mim foi um ano muito diferente, rico e excepcional!…”.

Se responder assim, tal e qual, não estarei a mentir e quem me ouvir vai ficar a pensar na sortuda que sou. E eu agora, só agora, percebo que sim.

2016 irá ser, de facto, inesquecível porque foi diferente, rico e excepcional. Mas não quero outro igual. Por favor.

2016 foi inesquecível porque foi doloroso demais. Muitas dores de crescimento. Fortes. Difíceis de esquecer. Se calhar, inesquecíveis mesmo. Tão fortes que me levaram, vezes demais, a tornar-me defensiva e me obrigaram, vezes demais, a desacreditar e a me tornar, também eu, mais forte para as conseguir suportar…

2016 revelou-se rico porque nunca me vi obrigada a aprender tanto em tão pouco tempo…

2016 tornou-se excepcional porque espero, do fundo do meu coração, que algumas experiências vividas não se voltem a repetir.

Reparo no que escrevi. Respiro fundo. É que eu agora, só agora, percebo melhor que sim. Percebo melhor que as fraquezas dos outros é que me moldaram a mim, tornando-me mais forte. Percebo melhor agora que as dores de crescimento dos outros é que me obrigaram a mim a aprender a sobreviver. Percebo melhor agora que os impulsos dos outros é que me tornaram a mim mais paciente e tolerante. Percebo melhor agora que a rigidez de pensamento dos outros é que me tornou a mim mais flexível e resiliente. Percebo melhor agora, porque na pele senti, que através das decisões que tomei e da forma como a novas realidades inesperadas me adaptei, é que cresci. Percebo melhor agora que, ao redesenhar a vida, acabei por me recriar. Tornei-me mais inteira. Sei melhor quem eu sou.

Como foi 2016? Cá para os meus lados foi um ano Inesquecível, com um enorme I maiúsculo.

E se me perguntarem como será o 2017? Percebo melhor agora que afinal nada sei.