Terra, uma Casa onde cabem todas as Cores

Há dias especiais. O Dia da Terra é um deles. E partilhar o meu respeito pela Mãe Terra é o mínimo que posso fazer porque hoje sei que este Respeito faz parte integrante dos meus Valores e da minha Missão de Vida.

Há, de facto, experiências na vida que nos ajudam a reforçar e a clarificar quem somos. Recordo-me muito bem de uma banda desenhada que fiz, em Educação Visual, tinha eu uns 10 ou 11 anos, sobre a conhecida história da “Valéria e a Vida”, que aborda o tema do Respeito pela Natureza. Não sei se esta memória ficou reforçada por ter sido um trabalho premiado na comunidade escolar, o que deve ter reforçado na altura a minha auto-confiança, mas hoje, olhando para trás, julgo que não terá sido só por isso.

Acredito que a memória ficou porque foi uma tarefa criativa e um trabalho que me fez sentido. Que me encheu de sentido. E isto sim, preencheu as boas memórias e ajudou a construir quem sou.

Nesta vida de correria, de múltiplos compromissos, muitos deles vagos e vazios de sentido, torna-se essencial relembrar a mensagem rica e repleta de sentido da Carta da Terra.

É certo que relembrar a sua mensagem poderá ser apenas uma pequena ajuda. Mas que seja isso. Que nos ajude a parar e a refletir o que temos andado a fazer e o que está ao nosso alcance fazer de melhor para protegermos o nosso Planeta. A nossa Casa. A Casa de Todos. Uma Casa onde têm lugar todas as cores.

Será que quando ouvimos as notícias constantes dos conflitos ridículos existentes nesta nossa Casa Global, alguém se lembra deste facto? Alguém se lembra que, vista de fora, a Terra não tem linhas que dividem? Que, vista de fora, é Uma e Única?

A Missão da Iniciativa da Carta da Terra é despertar a nossa consciência para a necessidade urgente em promovermos a transição para formas sustentáveis de vida baseadas num modelo de Ética Colaborativa que tem como pilares principais o Respeito e uma Cultura de Paz, para a construção de uma sociedade global mais justa, equilibrada, sustentável e pacífica.

Para muitos, colocar estes objetivos em ação, parece tão complicado e complexo que até parece coisa doutro Mundo (ou doutro Planeta), mas não é. Vejamos os casos, inúmeros e próximos de nós, de pessoas, jovens ou nem tanto assim, que circulam pelo Mundo, que partilham culturas e experiências, que contribuem para a construção de um novo Mundo e que no fundo só fazem o que demais simples e rico há: partilhar habilidades de cada um dentro de uma Casa que é de todos.

Pensa nisso. Confirma esta simplicidade e deixa-te guiar:

1- Torna-te num exemplo. Contribui e Respeita todos os outros habitantes da Terra.
2- Utiliza o teu poder. Acredita que com o teu contributo podes fazer a diferença.
3- Promove o diálogo. Constrói relacionamentos de confiança e respeito mútuo.
4- Torna-te firme ao mesmo tempo que flexível. Assegura o compromisso com os Valores Éticos essenciais ao mesmo tempo que te adaptas à mudança.
5- Cria e Colabora. Partilha ideias. Constrói parcerias que geram mudanças e desenvolvimento global.

Faz-te sentido? Então… faz a tua parte. Faz acontecer!

Mentiras, Ilusões e Óculos com lentes Cor-de-Rosa

Recentemente, a minha filha caçula escolheu fazer um trabalho, para a disciplina de Português, sobre um livro que fala da nossa opção em colocar óculos com lentes cor-de-rosa para enxergarmos a vida.

Foi enriquecedor debater isto com ela… fizemos uma ronda por nós próprias e pelos que nos são mais próximos e, divertidamente, percebemos quem de nós tem tendência para utilizar, mais frequentemente, os tais óculos…

Percebemos que existem alguns que nem sabem da sua existência e da sua utilidade nas horas mais cinzentas, enquanto outros têm tamanha dependência deles que nem se permitem ver a vida com outras cores.
O livro fala precisamente disto. Escolher ver o mundo e a vida só de uma cor impede desenvolver o conhecimento das coisas. E, na maioria das vezes, impede-nos de enxergar a realidade.

A minha filha, em forma de suspiro, acrescenta: “às vezes até dá jeito mudar a cor das coisas para torna-las mais positivas, quando elas são feias e nos causam tristeza…”

Sim, concordo. Concordo absolutamente. Às vezes é preciso sim. Às vezes é preciso agarrarmo-nos aos óculos com lentes cor-de-rosa só para conseguirmos descansar um bocadinho… descansar o suficiente até ao dia que dizemos “basta” e escolhemos tirá-los de vez.

Ainda na nossa prazerosa conversa, exploramos que existem muitas pessoas que, ao pressentirem a Verdade a aproximar-se, preferem ir, num relance, buscar as conhecidas amigas lentes rosa.

Ao concordarmos, até sorrimos, visualizando-as dramáticas, em câmara lenta, a abanarem a cabeça, em forma de negação… enquanto pintam a visão da realidade de rosa, assim que colocam os óculos.

Sorrimos e suspiramos ao mesmo tempo. Sentimos pena e simpatia por elas. Têm medo que a ilusão se transforme em desilusão. E têm razão. Desde quando é que alguém quer perceber que viveu numa bolha de mentira?

– Mas ó mãe, às vezes é preciso quebrar-lhes a bolha cor-de-rosa, não achas?! – questiona-me expectante.

Penso, pausadamente, antes de lhe responder… revejo, em segundos, tantos casos que conheço. E respondo:

– Sim. Claro que sim. E isso é, definitivamente, querer-lhes Bem. Porque a Sinceridade pode doer sim, mas só mantém a dor nas pessoas que preferem viver num mundo de Ilusão e Mentira.

A Mentira prende, a Verdade liberta. A Verdade solta-nos e permite-nos redesenhar a Vida e pincelá-la com novas cores!

Existe maior Liberdade?