Liberta-te para voares mais alto

A vida é incrível. A nossa vida é incrível. Não queiramos entrar no queixume e ver apenas surgir o incrível na vida dos outros.

A vida transmite-nos mensagens de formas tão subtis que, de tão ricas que se tornam, parecem-nos inacreditáveis.

Eu diria que as mensagens ou sinais, como lhe queiramos chamar, são de grande teimosia. Surgem de diversas formas e por diversos meios até darmos pela presença deles. São incríveis também, como a vida. Tornam-se, por vezes, tão persistentes que incomodam. Apetece-nos enxotá-los e empurra-los de tão insistentes que são.

Mas como são incríveis e têm a sua missão bem definida não desaparecem para nos aliviarem e irem para outras bandas enquanto não dermos também nós sinais de que já os pressentimos.

E assim que os pressentimos, eles ficam logo a saber. É tão fácil. Basta perceberem-nos baralhados e com muitos labirintos na cabeça, cheios de dúvidas e indecisões. Como se de um jogo se tratasse. Ali, só connosco e o tabuleiro da vida, à espera que tomemos uma decisão.

Assim como num jogo, e conforme o jogo, temos um determinado tempo para refletir, pensar na jogada, decidir e jogar. E é normal que joguemos optando por aquela que consideramos ser a melhor opção. No entanto, há sempre quem jogue inseguro ou desinteressado ao mesmo tempo que encolhe os ombros por se estar a borrifar para o resultado. E isso, muitos não o sabem, é uma opção e também é tomar uma decisão.

Tal e qual. Na vida é tal e qual.

Na minha sala de formação, que o foi durante as últimas duas décadas, tinha sempre frases inspiradoras afixadas nas paredes. Por norma davam sempre “sumo”, por desafiadoras que eram. A intenção também era essa… E, durante muito tempo, tive uma que dizia mais ou menos assim: “A vida não é um jogo. Mas é um jogo. Só que não é um jogo…”, e para quem a lia pela primeira vez, ou que reparava nela pela primeira vez, gerava-lhe de imediato um imbróglio daqueles. Os momentos seguintes revelavam-se sempre como oportunidades perfeitas para abrir espaço para questionamentos e dúvidas, muitas dúvidas. E o resultado era satisfação plena. Objetivo alcançado.

São as dúvidas que nos abrem caminhos. Que nos obrigam a mudar de posição para enxergarmos melhor. E depois, se por acaso nos interessarmos ou pudermos voltar à mesma posição, a nossa visão já não será, com certeza, a mesma. Logo, a realidade do momento precisamente seguinte também não será, com certeza, a mesma. Não será mesmo.

Ao enxergarmos melhor, criamos visões diferentes da realidade. E isto poderá ser bom ou trazer dor. Mas será sempre enriquecedor, se percebermos que foram as mensagens e os sinais que nos deram o empurrão necessário para vacilarmos e nos voltarmos a equilibrar, criando-nos novas bases mais firmes e seguras.

Façamos escolhas, tomemos decisões. Não desperdicemos energia com coisas, pessoas e espaços que já não nos fazem mais sentido.

Escolhamos sair das bermas e dos extremos, das posições duras que nos obrigam a rebaixar-nos ou a exaltar-nos obrigando-nos a ser quem não somos.

Escolhamos o caminho do meio. Embora mais exigente vai ajudar-nos a tornar mais bravos sem termos que perder a doçura. Vai ajudar-nos a colocar a cor da esperança no dia-a-dia e dar sentido à vida. Vai ajudar-nos a tornar mais leves e a ganhar mais equilíbrio e entusiasmo para finalmente soltarmos as amarras do medo e voarmos mais alto.

 

Cor da Esperança

Greenery é a cor eleita para o ano de 2017 pelo Pantone, Instituto especialista em cores aplicadas em tudo o que se relaciona com moda e design.

E eu gostei. Muito. Não tanto pelo tom, mas pelo significado que lhe foi atribuído.

Greenery é um tom verde próximo do que chamamos “verde alface”. Pouco discreto, portanto. Mas isso não interessa nada. Foi escolhido para representar 2017, dizem, por ser a cor da Esperança.

E disso eu também gostei. Muito. A Esperança, segundo Aristóteles, será sempre o Sonho do Homem acordado. E saber disto não é reconfortante? E, acima de tudo, estimulante?

Os especialistas da Pantone acrescentam que escolheram esta cor porque nos faz estabelecer uma ligação direta com a Natureza, ajudando-nos a diluir o stress e, simpaticamente, a transmitir mais tranquilidade.

Tranquilidade é o que também eles consideram ser, nos dias de hoje, o que mais nos faz falta vivenciar… E eu concordei. Muito.

Dizem ainda que a cor Greenery leva-nos a acrescentar o “re” a muitos verbos de ação positiva como regenerar, refrescar, revitalizar…

E eu gostei. Então não é o que eu ando também praí a dizer e, espero, a inspirar? Principalmente a mim própria…

Pois é. Precisamos re-desenhar a vida, fazer re-começos, re-novar-nos, re-criar-nos… Entrar num novo ciclo, aceitar a cor verde abrindo o tom da Esperança e olhar em frente. Olhar e seguir. Com vida. Sem medos. Com esperança.

Viva o Greenery!

Observar os sinais e escolher entre direções

Já vivemos os primeiros dias do ano, do novo ano. E este é o tempo de libertar e de inovar. É o tempo de imaginar e sonhar. É o tempo de seguir sinais e direções. É um novo ciclo que já não se avizinha, mas que mora cá.

E 2017 já mora cá e nós já lhe pertencemos. Quem ainda não sentiu esta pertença e a pressão de inovar ou de mudar alguma coisa, de fazer diferente?

A mudança faz parte da vida, faz parte da Natureza, faz parte da nossa natureza humana. E a necessidade de mudança dá-nos sinais, tal como as nuvens o fazem e os restantes elementos da Natureza.

Reconhecer os sinais e adivinhar as direções a seguir é um desafio e tanto. Sem caminho ou estrada definida é quase missão impossível. Sentimos medo e insegurança. Sentimos um peso e uma pressão porque se não queremos mais do mesmo, temos que fazer diferente.

Sem caminho ou estrada definida resta-nos imaginar e sonhar. E as dúvidas são muitas. As hesitações outras tantas. Resta-nos acreditar, observar os sinais e escolher entre direções.

Um novo ano acena-nos com novos começos, novos compromissos, por vezes repetidos e não cumpridos sem conta. Um novo ano pode representar o despertar para novas experiências e aventuras, o despertar de novos impulsos e daquela sensação que nos estamos a atirar para o incógnito e desconhecido.

Mas a beleza de um novo ano também pode ser precisamente essa: permitirmo-nos avançar pelo incógnito adentro. Incógnito e imprevisível. Sem caminhos nem estradas. Com medo e coração acelerado, mas vivos.

2017 já mora cá. E nós já lhe pertencemos, independentemente daquilo que, na nossa imaginação e sonhos, já o fomos preenchendo.

Então… que em 2017 saibamos observar os sinais: se estamos bem, desfrutemos, porque a vida é uma roda viva. Se não estamos bem, mudemos, porque a vida oferece-nos escolhas como presentes.

Desfrutemos o Presente e, mesmo que ele nos apresente cores pesadas e tumultuosas e não nos mostre um caminho definido, aceitemos imaginar e criar, aceitemos entrar na aventura de irmos descobrindo cada direção a tomar. Porque a vida, a nossa vida, está sempre pronta para se redesenhar e colorir de novo.

A retrospetiva necessária para seguir em frente

Fazer retrospectivas e balanços nesta época do ano é natural. Natural e desejável para assim podermos fazer a análise necessária para seguirmos em frente, mesmo que empurrados, sem alternativa.

Podemos sempre escolher. Podemos olhar para trás e perceber que mais um ano passou e pouco ou nada melhorou, podemos olhar para trás e perceber que foi um ano como outro qualquer ou perceber que foi deveras diferente, rico, chegando mesmo a roçar o Excepcional, com E maiúsculo.

Reparo agora que esta é uma boa resposta, dita assim, desta forma, a quem me voltar a perguntar “então, como foi o teu 2016?”… Imagino-me a arregalar o olhar e a responder num tom seguro e confiante: “2016? Ah! Para mim foi um ano muito diferente, rico e excepcional!…”.

Se responder assim, tal e qual, não estarei a mentir e quem me ouvir vai ficar a pensar na sortuda que sou. E eu agora, só agora, percebo que sim.

2016 irá ser, de facto, inesquecível porque foi diferente, rico e excepcional. Mas não quero outro igual. Por favor.

2016 foi inesquecível porque foi doloroso demais. Muitas dores de crescimento. Fortes. Difíceis de esquecer. Se calhar, inesquecíveis mesmo. Tão fortes que me levaram, vezes demais, a tornar-me defensiva e me obrigaram, vezes demais, a desacreditar e a me tornar, também eu, mais forte para as conseguir suportar…

2016 revelou-se rico porque nunca me vi obrigada a aprender tanto em tão pouco tempo…

2016 tornou-se excepcional porque espero, do fundo do meu coração, que algumas experiências vividas não se voltem a repetir.

Reparo no que escrevi. Respiro fundo. É que eu agora, só agora, percebo melhor que sim. Percebo melhor que as fraquezas dos outros é que me moldaram a mim, tornando-me mais forte. Percebo melhor agora que as dores de crescimento dos outros é que me obrigaram a mim a aprender a sobreviver. Percebo melhor agora que os impulsos dos outros é que me tornaram a mim mais paciente e tolerante. Percebo melhor agora que a rigidez de pensamento dos outros é que me tornou a mim mais flexível e resiliente. Percebo melhor agora, porque na pele senti, que através das decisões que tomei e da forma como a novas realidades inesperadas me adaptei, é que cresci. Percebo melhor agora que, ao redesenhar a vida, acabei por me recriar. Tornei-me mais inteira. Sei melhor quem eu sou.

Como foi 2016? Cá para os meus lados foi um ano Inesquecível, com um enorme I maiúsculo.

E se me perguntarem como será o 2017? Percebo melhor agora que afinal nada sei.

A nobreza de evoluir

“Decidir mudar. Deixar de ser quem era. Transformar-me para quem quero ser”, não são simples afirmações, daquelas ocas, que se dizem só porque sim.  Elas contém a nossa mais pura essência como seres humanos: a evolução. A coragem de crescer. A ousadia de criar. A nobreza de evoluir.

Assumirmos como parte da nossa identidade o espaço entre o que fomos, o que ainda somos e o que queremos ser, dá-nos uma sensação de tranquilidade e, ao mesmo tempo, uma dose de adrenalina vital, ansiosos que ficamos pelo que está para vir.

Despertos para o facto de que a nossa identidade vai construindo e reforçando a nossa Marca Pessoal, que é única e genuína, que nos distingue e dá valor, tornamo-nos pessoas mais responsáveis pelas escolhas e decisões que tomamos, pelo que sentimos e pensamos, pelo que passamos e fazemos passar aos outros.

Quanto mais genuínos e despertos para a riqueza individual de cada um, menos tendência teremos para imitar e copiar as escolhas dos outros.

Imitar o que os outros fazem, as suas ideias, os seus projetos, as suas escolhas é querer imitar a vida dos outros. Existirá opção mais triste? Menos digna? Mais pequena?

A nossa Marca Pessoal é quem somos. Ponto. Sejamos nós simples ou complexos, cinzentões ou coloridos. É sempre quem somos. Ou antes, quem escolhemos ser.

Todos somos seres criativos. Todos temos o poder da criatividade. Mesmo quem adota a “chica espertice” acomodada de copiar as ideias dos outros é criativo, só que ainda nem reparou… tão ocupado que anda a olhar para os outros.

O processo de definição e construção da Marca Pessoal não é para os distraídos com a vida dos outros. É um processo corajoso e profundo de autoconhecimento, de auto-respeito e amor-próprio que ajuda a estruturar todo o nosso propósito de vida, nos diferentes papeis que abraçamos desempenhar, de uma forma íntegra, genuína e coerente com a nossa identidade, de modo a conquistarmos, diariamente, mais harmonia, equilíbrio e bem-estar.

Encontrar a nossa Marca Pessoal é isso. É encontrar o sentido… ou melhor, despertar os sentidos.

Existirá algo melhor?

 

Quando a Decisão é… Decidir.

Quando fechamos os olhos e decidimos escolher o caminho que realmente queremos seguir, tudo muda. Ou, tudo muda, mesmo não sabendo exatamente que caminho vamos seguir, desde que decidamos, numa primeira análise…mudar.

Quando percebemos, finalmente, que permanecer na mesma etapa… naquela onde já não é possível retirar mais nenhuma lição nem nada de bom…é o sinal que é tempo de mudar.

Tudo fica claro. Já não faz mais sentido permanecer ali.

Encerrar ciclos ou o que lhe quisermos chamar é imperativo e urgente. Precisamos de nos permitir viver outras etapas, de nos permitir viver novas experiências.

Já perdemos energia suficiente, alegria e se calhar até nos questionamos continuamente qual o sentido da vida.

Agora tudo fica claro: é fundamental sair do impasse. Saltar o muro…
“Saltar o muro”… diz-me muito esta expressão. Mal eu sabia que tinha outro muro, enorme pela frente. De facto, a vida também é isto. Perceber que existem muito muros para serem saltados. Perceber que vão existir sempre muros para serem saltados.

“Permanecer em cima do muro pode até ser bom…” dizia-me um bom amigo há uns meses atrás, enquanto eu não me decidia saltar um “muro gigante” (que depois consegui realmente saltar). E ele, em sinal de alerta, acrescentava: “não devemos é deixar-nos permanecer lá durante muito tempo… pode ficar demasiado desconfortável e deixar-nos dormentes…”

Ficar dormente é o sinal limite, sim. Mas é o sinal de que é chegada a hora de saltar. É a hora onde não há mais indecisão. Mesmo dormente arranjamos as forças suficientes para saltar o muro sem olhar para trás.

Saltar o muro é, assim, o mesmo que soltar-se. Desprender-se. Encerrar ciclos. Não pelo ego ou por orgulho. Não por incapacidade ou fraqueza.

Fechar a porta. Abrir outra. Limpar a casa, sacudir a poeira.

Simplesmente decidir mudar e “levar apenas o que couber no bolso e no coração”.

Deixar de ser quem era. Transformar para quem quero ser.

Paula Marques Jorge

Sente que está na hora de fazer uma escolha?

Sente que está na hora de se ver?

Que bom. É dos desafios mais gratificantes que nos podemos oferecer. Permitir-nos crescer. Não nos deixarmos influenciar pelo ruído que nos rodeia. Dar prioridade a olharmos para dentro de nós.

Precisamente a propósito disto, tenho observado, muito frequentemente, em dinâmicas de formação que desenvolvo para promoção de trabalho em equipa (o chamado Team Building) que são raras as pessoas que se sabem posicionar saudavelmente, diria assertivamente, no seu grupo de trabalho. A maioria tende para um dos extremos, ou adota uma postura demasiado passiva, assumindo que ”não vale a pena dar a minha opinião, porque ninguém me vê”… ou escolhe o outro extremo: impondo-se, não deixando os outros existirem, tornando-os nulos, portanto invisíveis. O que, para mim, significa que até os “visíveis” também não se permitem ver.

Perante tal realidade, comum realidade, opto por lançar o convite, a que chamo dignamente de desafio, porque é o que é, de antes de se ambicionar promover o afamado espírito de equipa, antes de se estimular a colaboração e a cooperação para a co-criação de um beneficio comum… devemos também saber abrandar para conseguir melhor observar. Oficialmente desacelerar. Oficialmente convidar a diminuir-se o ritmo da respiração. Aprender a fazer chiuuuu, levemente, para nós próprios. Permitir-nos respirar profundamente. E depois sossegar. Serenar. Apaziguar. Ah! Harmonizar e criar empatia. Confiar.

Deixar para trás o remoinho que teima em liderar: olhar para dentro. Inspirar, portanto. Simplificar o modo de pensar: iluminar o pensamento. Inovar, portanto.

E depois… depois vem o que me dizem ser muito difícil fazer. “Impossível”, chegam-me mesmo a dizer… Porque o que vem depois é o Acreditar. Mas insistem em dizer-me que não, que não acreditam que é possível mudar.

Eu tento disfarçar o que sinto, para não influenciar o florescer da partilha. Mas o que sinto, deixem-me partilhar. É que não há nada mais a fazer, senão continuar. Sinto que é este o caminho: acreditar e, livremente, fazer os outros acreditar. É o meu próprio desafio. Exigente, eu sei. Inglório, talvez. Mas é nisto que acredito.

“Não sou da altura que os outros me vêem, sou da altura que deixo os meus olhos me verem” (Fernando Pessoa).

Acredito que se cada um de nós despertar este Sentir, cuidando de nós próprios e sabendo valorizar-se, perceberemos melhor os outros e com a empatia fortalecida a criação do possível em conjunto será uma realidade assumida.

Permitamo-nos, portanto, olhar para dentro de nós. Olhar e depois inovar. Porque quando nos permitimos abrir para o novo, o nosso olhar também muda e simplifica, tornando a respiração e as nossas escolhas mais fluidas, leves e livres.

Paula Marques Jorge

Resgatar a Força Interior para dominar a Dor

Se existe um reforço na aprendizagem que atualmente estou a fazer, com a minha própria vida e com as vidas dos outros que me são confiadas, é que saímos ganhadores quando olhamos para as “dores” não como “dores de sofrimento” e sim como “dores de crescimento”. Olhá-las e senti-las como verdadeiras dores de crescimento e de evolução é a melhor solução possível para conseguir seguir e avançar.

São momentos valiosos de transição, onde observar, sentir as dores, emocionais e físicas, é o mesmo que simplesmente dizer: sentir as nossas dores por inteiro porque inteiro é o nosso Ser.

Resgatar a força interior para dominar a dor é, portanto, um enorme desafio. Sentimos e pensamos mesmo como se fosse um impossível desafio a abraçar porque a maioria das nossas dores deriva de ferimentos profundos originados por grandes desilusões, frustrações e desencantos.
Para mim, estas serão das piores dores. As dores sentidas quando nos confrontamos com realidades que nunca imaginamos viver ou que, infantilmente (?), adiamos ou recusamos ver.

Perante a realidade, perante os factos sabemos que não existe nada a fazer. No entanto, podemos olhar para o alto, respirar fundo e acreditar que há sempre muito por fazer. Aliás, está tudo por fazer porque um início de ciclo está a acenar prontinho para se aceitar.

Há que retirarmo-nos do turbilhão, nem que seja por uns breves instantes e, como seres inteiros que somos, aceitar a realidade como mais um trilho percorrido pertencente ao grande caminho da vida.

Conseguir integrar em nós não uma aprendizagem vaga lida em livros mas sim toda a experiência de acontecimentos vividos na primeira pessoa, tornar-nos-á, garantidamente, pessoas mais fortes.

Depois da fragilidade vivenciada e sofrida; da coragem de “dar o murro na mesa” ou de “bater com a porta”; do turbilhão de emoções que nos domina; dos avanços e recuos que nos manipulam, há que aprender a integrar, com suavidade, todos estes opostos e polaridades, todos estes momentos de sombra e luz que insistem em nos preencher e completar.

Integrar com suavidade e seguir em frente. Será isto alguma vez possível?!

As dúvidas são muitas. As forças são poucas. Só apetece deixar-nos ir, como aquele barquinho que lançamos ao rio, confiantes que nalgum lado há-de chegar.

Sabemos que só saberemos o resto da história se nos metermos a caminho.

Mas por qual deles seguir? A dor é forte e a dúvida persistente.

Quando me decidir, vou concerteza experimentar e, depois de confiante me “deixar levar”, com o coração limpo mais histórias terei para contar e mais forte e rica vou ficar.

Paula Marques Jorge

Tempo de limpar e desbravar caminhos

Esta é uma época, por excelência, que depois da pausa de férias e da entrada na rotina diária, parece que nos é permitido fazer uma revisão de objetivos e abrirmo-nos a novas visões e a novos caminhos.

Naturalmente, podemos aproveitar a mudança do tempo e do horário de inverno para entrarmos num ciclo necessário de “limpeza”, de seleção e de escolher ficar só com o que realmente interessa e que ainda se identifica connosco… a todos os níveis.

Mas como fazemos isso?

Pela minha experiência, eu afirmo que a melhor forma e a mais prazerosa, é permitirmo-nos entrar num processo genuíno de autoconhecimento. Autoconhecimento que só é possível através da auto-observação acompanhada de reflexão, de auto-respeito e de muito amor-próprio.

Ui, ficou pior… mas como fazer isso?

Eu atrevo-me a afirmar que só é possível se pararmos o ritmo alucinante do dia-a-dia. Poderei corrigir, visto que parar é quase uma utopia, e acrescentar “abrandar” em vez de parar. Abrandar também é bom. Abrandar e observar como se fosse em câmara lenta, num ritmo que nos permite ao sentir, nem que seja um friozinho na barriga, esboçar um sorriso e percebermos que ainda temos tempo de corrigir, melhorar e aprender. Aprender sempre.

Aprendemos se reconhecermos que existe algo para aprender e se existe o entusiasmo em apreender.

Neste momento, o que importa mesmo é aprendermos a deixar para trás o que já não queremos que faça parte da nossa vida. O que importa mesmo é percebermos que, mesmo não interessando mais, tudo se revelou muito importante para sermos quem somos hoje.

Aceitarmos avançar mais leves depois da limpeza é, por estranho que pareça, equivalente a fortalecermos a nossa estrutura interna como seres humanos, deixando para trás as questões que nos inquietaram e que nos fizeram fraquejar e evitar, tantas vezes, que tomássemos uma posição.

Neste momento, o que importa mesmo é perceber que, antes de se avançar para um novo ciclo é imprescindível limpar e abrir espaço. Abrir espaço para o novo, para novas escolhas, novas ideias, novos pensamentos e novos e sinceros sentimentos.

Ao ler o pensamento de Saint-Exupery foi isto que interpretei. Mesmo que nos pareça que as vivências que acumulamos nos sirvam em vão e que os passos dados nos pareçam inúteis, se estivermos atentos vamos entender que, mesmo assim, nos serviram para abrir novas visões e perspetivar novos caminhos.

E assim, o bom mesmo é que consigamos imaginar novos caminhos iluminados de cor… e aceitar desbravá-los com entusiasmo e amor.

Paula Marques Jorge

(Re)desenhar a Vida com Saúde

Hoje, mais uma vez, comemora-se o dia Mundial da Saúde Mental. Para muitos, “saúde mental” é um conceito vago, longínquo até, e que consideram nada ter a ver consigo e com a sua realidade. No entanto, nunca como agora, em que a insegurança e a ansiedade estão presentes no dia-a-dia, se considerou unanimemente tratar-se de um assunto de extrema importância, transversal a todos, e o qual devemos classificar como prioritário.

Também nunca a neurociência foi tão estimulante e nos animou com o facto de termos a extraordinária possibilidade de moldar positivamente a nossa saúde mental através da característica humana da neuroplasticidade.

A Saúde Mental deveria ser, portanto, o bem mais desejado por qualquer ser humano.
Por exemplo, vejam a resposta típica àquela pergunta típica:
– “O que mais queres na vida?”
– “Ser Feliz!”
Agora imaginem a diferença quando todos aprendermos a responder à mesma questão desta forma:
– “O que mais queres na vida?”
– “Eu quero ter saúde mental!”

Uau! Imaginaram? Viram a diferença?
Ter Saúde Mental é ser Feliz, sim, mas a dobrar, a triplicar, sei lá, é tudo o que devíamos desejar ter na vida.

Ter Saúde Mental é ser Feliz, aceitando-nos como somos e gostando de quem somos; é ser-se agradecido, reconhecendo o real valor de tudo o que temos; é saber reconhecer em cada obstáculo uma enorme oportunidade de aprendizagem e de crescimento; é saber parar e refletir antes de decidir; é confiar nos outros sabendo que somos também nós pessoas de confiança; é reconhecer as nossas emoções e saber adequá-las a cada situação; é aprender a reconhecer o nosso próprio valor e saber utilizá-lo, tornando-nos úteis  e mais criativos…

Ter Saúde Mental não é uma característica que se compra numa lotaria. É, independentemente das características de cada um de nós, sermos autênticos, sabermos respeitar a nós e aos outros.

Ter Saúde Mental é abraçarmos a vida de um modo realista e positivo e estarmos disponíveis para aprender a nos adaptarmos às circunstâncias sem perdermos a nossa individualidade e integridade. É saber olhar para o outro e respeitar o que vimos, ao mesmo tempo que, se preciso for, redesenhamos a vida com autoconfiança defendendo em primeiro lugar e sempre fidelidade a nós próprios, com amor, assertividade e dignidade.

Ter Saúde Mental é isto, é saber: Despertar o Sentir, Inovar o Pensar e Entusiasmar o Agir. É aceitarmos o desafio de dar mais cor à vida!

Paula Marques Jorge